To new begginings

20 de junho de 2018


Sabes aquele momento em que olhas à tua volta e tudo parece bem? Inspiras, relaxas, planeias, ... mas de repente há qualquer coisa que falta. Não consegues perceber bem o quê, mas ali (ou será noutro sítio?), algo não está bem, algo não bate certo. Será aquele sorriso que não está tão marcado, as gargalhadas que já não ecoam na sala, aquela mão que já não encaixa na tua? Voltas a inspirar, esfregas os olhos, e tentas dar mais uns passos. "É só um pesadelo", pensas, "É só o cansaço". Mas o tempo passa, acordas todos os dias, e o pesadelo continua lá. É como uma neblina que não passa. Tudo à tua volta vai perdendo a cor, o brilho e o encanto... mas continuas a inspirar. Tens medo, estas aterrorizada, mas lentamente habituas-te ao caos, ao barulho, às conversas preto-e-branco, do tudo ou nada. Inspiras. Tentas colar as jarras partidas no meio do chão, varrer a poeira que teima em ficar. Mas há sempre mais... Há sempre mais um rasgão para cozer, mais um canto descuidado... Voltas a inspirar, voltas a sonhar e a acreditar que tudo ficará como antes (mas como é que era o antes..? Até as memórias pregam partidas). A infeliz realidade, o que não te dizem nas entrelinhas das histórias de encantar, é que às vezes o ponto final aparece, a história acaba, e tu ficas com um livro incompleto (ou sempre foi esse o final esperado mas preferis-te nem olhar para a ultima página?). O conto termina e a única coisa que podes fazer é guardá-lo na estante.

E o que vem a seguir..? A seguir sustens a respiração, dás o salto no escuro e esperas pelo melhor. É uma sensação muito estranha, mas tudo para. Os dias são intermináveis, as noites ainda mais longas (mas não estamos no horário de verão?). Já não há barulho porque preferes o silêncio, já não há nada fora da tua cama porque tudo te parece gigante e incompleto. És reduzida a um ponto, a algo perto do nada, mas não és nada porque continuas cá. A água envolve-te, sufoca-te, e continua a puxar-te para mais fundo. Por instantes, por dias ou semanas, nem tentas lutar contra a corrente. Não vale a pena. É muito mais fácil simplesmente deixares-te ir, apagar, deixar de pensar ou existir. E não há problema nenhum com isso. Podes descansar. Deves descansar... Deixa que a água te envolva, que cuide de ti. (re) Aprende quem és, quem queres ser, onde queres ir. (re) Aprende a viver. Aprende a ser feliz contigo.

E quando te sentires pronta - nada. Não penses, apenas nada. Porque vais perceber que não havia corrente, nem pesos. Nada te puxava para baixo, nada te agarrava ou prendia à areia. Não havia nada a manter-te onde estavas...apenas tu. E tu já não és nada. Nunca foste nada. És tu. E quando chegares à superfície outra vez, quando vires a luz, o brilho da água, o azul do céu e do mar; quando sentires aquele cheiro tão quotidiano da tua casa, do teu perfume, da tua vida... Expira... E volta a inspirar. Porque vai tudo correr bem.

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